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Orgulhosamente criado por Paula Castro

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Quando comer é uma experiência

Bonjour!


Há duas semanas atrás eu fui almoçar no Domaine de Rymska, um hotel fazenda de luxo situado a 40 minutos da cidade de Beaune na Borgonha. E que experiência mágica e perfeita!


O Domaine de Rymksa pertence ao antigo dono do famoso hotel Le Cèdre que por muitos anos foi a referência de hotelaria na Borgonha. O dono vendeu o hotel e assumiu por completo o hotel fazenda Domaine de Rymkska, um projeto que ele fez de A à Z.

Esse hotel fazenda de luxo possui 80 hectares de terra, 5 quartos de luxo com tamanhos diferentes e o mais especial de tudo é a sua cozinha. O chef Jérémie Muller é um artista de sabores. Eu acho que essa é melhor definição que eu poderia escrever. Os pratos são explosões de sabores, texturas, cores e designs, mas acima de tudo ele utiliza produtos de ótima qualidade.


A diferença do Hotel Fazenda Domaine de Rymska é essa: a sua fazenda. Ela produz a maior parte dos produtos usados em sua cozinha. Eles têm a sua própria horta, pomar e criação de galinhas, patos, perus, aves em geral, bois e vacas da raça Charolaise, porcos, cavalos de raça, burros para carga, ovelhas, gados, cabras e o famoso boi da raça japonesa Wagyu, do bife Kobe.

O restaurante é aberto de terça à sábado no almoço e jantar, sendo que de terça até sexta (exceto feriados) há o menu extra, o menu da semana por um valor de 32 euros. Os demais menus estão disponíveis todos os dias no almoço e jantar. E é exatamente disso que eu vou falar.


Fui comemorar com um pequeno atraso o dia dos namorados e escolhemos o Domaine de Rymska. Fomos surpreendidos pelo menu Campagne Rymska, a um valor de 96 euros por pessoa, e foi a melhor surpresa que eu tive até hoje.


Na França é comum antes da entrada comermos um amuse-bouche, um aperitivo que nesse caso foi um prato maravilhoso contendo o pão de queijo local chamado Gougère, mais leve que o nosso pão de queijo, um empanado com um pequeno pedaço de foie gras dentro e uma casca do ovo cortada ao meio com um creme de castanha e uns croutons salgadinhos. Em seguida veio uma tacinha com um creme de batata com uma textura que parecia um creme de bolo, ultra macio e leve e no fundo tinha pedaços de linguiça de morteau. Se você ainda não provou a linguiça de morteau, por favor prove-a na sua próxima viagem à França. Só com essa pequena experiência já percebemos que o que viria seria espetacular. Ah e ganhei um coquetel da casa: um espumante local – crémant de Bourgogne - de altíssima qualidade com um licor de pêssego. Detalhe, eu não gosto de nada de pêssego e mesmo assim achei o coquetel delicioso. Não era doce e não tinha o aroma exagerado de pêssego.

Como entrada comemos um prato generoso de foie gras com salada e geleia. Eu pessoalmente não gosto de foie gras, mas comi tudo. E mesmo não apreciando muito o gosto eu pude notar a leveza e sua alta qualidade. Fiquei bem feliz em não ter trocado de prato e tê-lo experimentado.


Em seguida fomos surpreendidos por um belo prato de lagosta com legumes da estação. A melhor lagosta que eu já comi. Tenra, com o ponto de cozimento perfeito. A lagosta veio do viveiro da fazenda e os legumes da estação da própria horta.


E eis que é servido o bife Kobe. Eu sempre ouvi falar, sempre quis experimentar e agora era a minha oportunidade. Mas como eles criam uma vaca do Japão no interior perdido da Borgonha? Eles compraram o embrião do Wagyu e inseminaram no ventre da vaca da raça Charolaise, típica da Borgonha, e assim nasceu na fazenda do Domaine de Rymska o primeiro boi da raça Wagyu. Hoje como vocês podem ver nas fotos eles são vários. Machos, que são abatidos para consumo, fêmeas que são usadas para a reprodução e os seus filhotes. E eles têm tratamento especial, assim como os da raça Charolaise: massagem. Um aparelho chamado Happy Cow que o próprio boi aciona levantando uma alavanca, faz massagem por meio de duas escovas que rodam rápido e o boi ou vaca se encostam para ter aquela massagem e coçadinha nas costas, rosto, quadril e coxas. Como tudo o que é produzido e criado na fazenda é para o próprio consumo, eles têm uma alta qualidade em tudo e não fazem uso da criação intensiva ou sem respeito ao solo. La tudo tem seu tempo, por exemplo eles só servem legumes e frutas da estação.


E por fim, na França haja como os franceses! Por isso eu comi queijo depois de todos esses pratos! Os melhores queijos da região são apresentados num carrinho lindo e podemos escolher quantos quisermos. Eu escolhi o meu queridinho comté, um pedaço de queijo de cabra e um queijo de vaca chamado abbaye de citeaux, feito pelos monges locais. E para acompanha-los eu comi um pedaço de pão com figo e geleia de maracujá. Hummmmm.....

Mas preparem-se porque ainda não acabou. Temos a sobremesa. Eu escolhi uma das sobremesas da estação, um mousse de frutas coberto com chocolate branco e demais frutas decorando. Era tão lindo quanto gostoso. E o meu mon chéri pediu uma torta de maçã. Geralmente as sobremesas desses menus mais fartos são sempre leves, por isso tudo é com muita fruta. Faz sentido, porque chegamos as 12h30 e saímos da mesa as 16h10. Um longo e perfeito almoço onde também bebemos muito bem. O vinho escolhido a dedo foi o Nuits Saint Georges, Premier Cru - Aux Argillas – da vinícola Domaine Jean Tardy Fils safra 2010.

Eu agradeço o convite do Domaine de Rymska e essa oportunidade mais do que especial. Foi a melhor experiência gastronômica que eu tive nesses 4 anos vivendo aqui. E tudo isso num restaurante lindo, com funcionários super educados e acolhedores, inclusive um deles arranha algumas frases em português, e seguido por uma visita na fazenda.


Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu e aguardo os comentários e não esqueçam de divulgar aos amigos e programarem a sua viagem para a Borgonha!


Eu sou a Juliana Lins Cruz dona e criadora da empresa e marca Vem Pra Borgonha. Promovo experiências guiadas eno-gastronômicas e culturais na Borgonha e trago um pouco do meu estilo de vida para vocês! Sigam minhas redes sociais @vempraborgonha e meu site com todos os detalhes www.vempraborgonha.com.br


Até a próxima,

Juliana

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