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Orgulhosamente criado por Paula Castro

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Qual o limite da sua prosperidade?


Financiar o apartamento novo significaria uma nova vida, em um bairro nobre, uma mudança significativa de patamar. Há algumas semanas da decisão final, o marido perde o controle, começa a se estressar, se torna agressivo com a esposa, ao ponto de romperem a relação. Surpreendentemente, ele se sente aliviado.

O executivo batalhou durante anos para ter uma carreira bem-sucedida. Quando chega o convite para ocupar a vice-presidência da empresa, ele vacila. Fica doente de repente e recusa o convite por motivos de saúde. Para os colegas, diz que seu corpo o traiu quando mais precisava. No fundo, sente que um peso foi retirado de suas costas.


O atleta passou a vida sonhando em jogar na Europa. Quando finalmente é contratado e transferido, tem uma série de atitudes irresponsáveis, o que faz o clube demiti-lo. Ele volta ao Brasil dizendo que não se adaptou ao exterior e está feliz de voltar ao bairro antigo. Passa os dias agora falando mal de estrangeiros.


Quantas pessoas você conhece que batalham e batalham, mas parece que na hora ‘H’ algo acontece (ou fazem acontecer algo) e o que era para ser uma vitória vira um fracasso? Parece que estão sempre batendo na trave, não fazem o gol. Culpam os outros, a vida, o azar.


Para quem está de fora, é comum ouvir os pseudo-psicólogos dando o veredito final: estas pessoas se sabotam.



Overdetermination

Eu sempre procurei por explicações cientificamente elegantes para os eventos. Assim, a capacidade de explicar algo de forma simples me fascina. Porém o simples não quer dizer simplista, nem superficial.


A explicação do sabotador nunca me pareceu científica, apenas superficial.


Se a base instintual do ser humano é o seu senso de sobrevivência, como pode ser lógico existir uma parte que nos sabota? Uma parte que quer a nossa derrota, o nosso fracasso, a nossa ‘morte’?


Ao longo dos anos fui entendendo melhor como funciona a nossa relação com nossos valores, nossos medos, nosso modelo mental. E aprendi o maravilhoso conceito de overdetermination – ou seja, um evento ou sintoma emocional pode ser causado por uma série de fatores diferentes. Não apenas um fator, mas uma série de possibilidades!


Por isso tantas explicações superficiais dadas às pressas para o comportamento de alguém fazem pouco sentido, porque representam apenas uma possibilidade. Há uma série de outras possibilidades que podem também fazer todo o sentido.


Voltando ao sabotador, que sempre me pareceu reducionista e simplista demais, hoje eu me sentiria mais confortável em usar o termo sabotador/protetor (para aumentar pelo menos mais uma possibilidade, sendo que podem existir muitas outras ainda).


A pessoa que parece estar se sabotando, quando investigada a fundo, traz algo mais complexo. Na verdade ela não quer o mal de si própria, ela quer apenas se proteger do medo de algo que está indo além do que ela consegue neste seu momento de evolução pessoal.



Nosso elástico interno

Imagine que temos um elástico interno. Ao puxarmos este elástico ao extremo, chegamos à um limite pessoal. Este é a fronteira da nossa capacidade. Enquanto vivemos na zona de conforto, o elástico está solto, sem stress.


Quando começamos a ter vitórias, a crescer, o elástico vai sendo puxado. Dependendo do tamanho da vitória, já antecipamos que para dar conta dessa nova prosperidade, o elástico deverá ser puxado até um certo ponto.


Se anteciparmos um ponto além do que estamos preparados, reagimos negativamente antecipando o desconforto da nova fase – pois todo sucesso traz consigo novas responsabilidades, nova maneira de funcionar, novas cargas de peso, novos obstáculos.


Caso seja demais, a tendência é entrar em modo de sobrevivência, com reações típicas de fight or flight (luta ou fuga).


O sucesso desejado se torna então um mamute, e a pessoa em questão se torna um homem das cavernas, com duas opções: ou mata o mamute ou foge dele.


Você pode dizer que ele fez isso para sabotar o sucesso, mas essa “sabotagem” é fruto do seu instinto de proteção. Ele está se protegendo de uma carga que já antecipa que não vai aguentar. Daí o alivio quando perde a vitória que estava nas mãos. É como se agora o elástico estivesse relaxado novamente. Terminou o stress.


Prosperidade gera stress, pois com mais sucesso vem mais responsabilidade, novas adversidades. E nem sempre a pessoa tem as competências prontas para dar conta da nova fase.


Então, por incrível que pareça, é quase uma dissonância cognitiva. A pessoa diz que quer prosperidade, mas não aguenta quando a consegue. Ou, pelo menos, não aguenta quando esta é maior do que sua capacidade de dar conta.


Conclusão: não me venha dizer que querer é poder. Se você não está pronto, você não vai conseguir aguentar nem o que você quer.


Poder é você se preparar para o sucesso de antemão. Lide com problemas maiores, resolva situações mais complexas, encare a vida, saia da zona de conforto.


Pois a prosperidade não tem preferência pessoal. Ela vai para quem tem o elástico mais estendido.


E você? Onde na sua vida você está se sabotando/protegendo contra o que a vida quer te oferecer?


Qual o tamanho da prosperidade que você aguenta?



Blessings,

Rhandy Di Stéfano


Presidente do ICI Integrated Coaching Institute

Considerado um dos melhores treinadores da atualidade. Aclamado internacionalmente, principalmente, por empresários e executivos de alto escalão, pelo seu conhecimento, experiência e por suas habilidades como um visionário, sempre um passo a frente, trazendo substanciais inovações para o campo de coaching.

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