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Orgulhosamente criado por Paula Castro

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Do que você está evitando falar?


O Valentine’s Day nos EUA é uma data similar ao dia dos namorados no Brasil. Se diferencia um pouco, pois inclui também o reconhecimento aos amigos que nos são queridos – mas o foco principal para esse dia continua sendo o reconhecimento da pessoa amada.

Neste último 14/02, vi uma cena inusitada ao entrar em um supermercado famoso por produtos orgânicos – um caixa exclusivo para atender apenas as pessoas (leia-se “homens”) que deixaram para comprar flores no último minuto. Difícil não achar graça! Fila típica do Valentine´s.


Infelizmente uma nuvem negra acabou com a graça do dia. Um ex-aluno de uma escola na Flórida, usando um rifle de uso militar, massacrou 17 pessoas (3 professores e 14 adolescentes). Esse ex- aluno tem apenas 18 anos e conseguiu, com um ato de violência, mudar o estado de celebração de um país inteiro para um estado de choque e assombro.


Num momento desse, a primeira pergunta que se faz é: por que isso continua acontecendo num pais que ainda se diz o mais desenvolvido do mundo?


Sabemos que, neste inicio de 2018, já houve em média um massacre a cada 3 dias nas escolas americanas. O Estados Unidos é um pais que possui 4% da população global, mas cujos cidadãos possuem 40-45% de todas as armas do mundo!


O mais frustrante é que os massacres continuam acontecendo e nada está sendo feito de diferente, por questões ideológicas. Muitos jornalistas estão chamando atenção para a repetição do ciclo: após a matança, as autoridades expressam seus pêsames e usam as mesmas frases de sempre, mas acaba por aí. Nenhuma ação concreta. Estatisticamente a escola está se tornando um dos lugares mais perigosos da sociedade americana – pois não se sabe se seu filho voltará vivo.


Na vigília que seguiu o massacre na escola da Flórida, um dos pais não sabia como descrever tamanha dor que ele sentia pela filha que morreu. Ele se lembrava que todos os dias dizia a ela “eu te amo” no meio da correria de manhã, enquanto ele tomava café e a filha saia correndo para chegar na escola à tempo.


“E neste momento eu não consigo lembrar se ontem de manhã eu disse para ela que a amava. Esta é a minha maior dor... eu não lembro se disse que a amava...”


A primeira reação dos defensores de porte de armas, quando acontece uma tragédia destas, é se recusar a falar de qualquer assunto que possa trazer à tona a ideia de desarmamento. Todos repetem a mesma frase “Não é momento de falar disso”, “É uma questão de saúde mental, não de armas”, “Não é hora de discutir questões políticas”.


A questão repetida por jornalistas é: se este não é o momento de se falar de controle de armas, então qual é o momento?


Será que este pai mencionado acima, que representa tantos mães e pais em dor, merece ser vítima desta tragédia? Merecer ser afetado pelo resto da vida, apenas porque as pessoas não quiseram falar do que incomoda, apenas porque escolheram ficar no conforto da cegueira?

Kubler-Ross, no seu trabalho brilhante sobre os estágios da morte, definiu os dois primeiros estágios como Negação e Raiva. Estes estágios representam a progressão emocional de um mesmo indivíduo, mas aqui tomo a liberdade para observar que estamos vendo esses estágios acontecendo em grupos diferentes.


O estágio da Negação está presente na reação inicial daqueles que não querem falar de controle de armas. E, agora, uma reação nova – a Raiva dos adolescentes que sobreviveram ao massacre e não querem deixar o assunto sumir.


Adolescentes brilhantes, que decidiram esta semana ir até Washington para cobrar ação concreta do presidente. Adolescentes que estão tendo coragem de fazer algo que muitos adultos não estão conseguindo: falar do que incomoda, encarar os fatos, parar de fingir que está tudo bem, parar de ficar resignados e vitimizados, confrontar os poderosos, estremecer o status quo...


O que esta situação tem a ver com você, leitor?


O meu foco, como sempre, é a parte comportamental, já que discutir sobre desarmamento foge do escopo deste texto.


Apenas observe o padrão comportamental. Uma tragédia acontece, mas se evita falar das possíveis causas do assunto, outra tragédia acontece e se repete que não é momento de se falar, e assim continua o ciclo de tragédia e falta de confronto do problema.


Vamos trazer isto para as nossas vidas.


Quantas pessoas você conhece (ou você mesmo) que estão em um trem que vai descarrilar logo em frente, mas não querem falar do que pode acontecer?


Seja no caso de um viciado, ou bêbado, ou agressivo, ou aquele que gasta dinheiro sem controle, ou quaisquer hábitos que as pessoas podem ter que gerem danos a si ou a outros – muitos tem a mesma reação após algum evento negativo que causaram: se recusam a falar do assunto.


Casamentos terminam.


Carreiras terminam.


Empresas vão à falência.


Fruto de pessoas que se recusaram a falar do que era difícil. Pessoas que continuavam com hábitos inadequados, mas se incomodavam quando alguém queria falar disso.


Quantas tragédias nas vidas das pessoas poderiam ser evitadas?


Quantos eventos de azar não foram tanto azar, mas apenas uma sucessão de erros constantes sobre os quais ninguém quis conversar?


E você?


Qual assunto na sua vida é desconfortável para você falar?


Qual assunto você prefere que não ter que abordar?


Qual é o tema que você não quer `nem saber`?


Muitos vivem tal qual um bêbado, que acha que consegue disfarçar a sua embriaguez. Todos à sua volta estão vendo claramente os rumos de seus passos cambaleantes... rumo à trilha de sofrimento que ele decidiu escolher. O único cego é ele mesmo!


E eu agora te pergunto:


Qual é a sua cegueira?


Qual é o assunto que está na hora de colocar a mesa?


Quais futuras tragédias pessoais você poderia evitar?


Que esses adolescentes da Flórida, que poderiam ficar no papel de vítimas, mas escolheram ser protagonistas, que estão quebrando os limites do medo, que estão expressando as suas preferências e escolhas maduras, sejam uma poderosa inspiração para todos nós.


Inspiração que possa nos fortalecer para conseguir estabelecer as conversas difíceis que continuamos tentando escapar ao longo da vida. É através da sua coragem individual que uma sociedade toda pode se engrandecer!


Quem sabe a coragem deles de questionar a realidade nos inspire a fazer o mesmo em nossas vidas.



Blessings,

Rhandy Di Stéfano

Presidente do ICI Integrated Coaching Institute


Considerado um dos melhores treinadores da atualidade. Aclamado internacionalmente, principalmente, por empresários e executivos de alto escalão, pelo seu conhecimento, experiência e por suas habilidades como um visionário, sempre um passo a frente, trazendo substanciais inovações para o campo de coaching.

Insta: @ici_coaching

Linkedin: www.linkedin.com/in/icigroup/

Site: www.coachingintegrado.com.br

(11) 3772-5179

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