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Corona vírus: Vida na França!

Bonjour!


Já se passaram mais de 30 dias de confinamento oficial aqui na França e eu resolvi comentar como estamos vivendo, se distraindo e o que pensamos que irá acontecer no futuro próximo.

Como vocês já sabem a França está sendo bem afetada pelo Covid-19 e as medidas de confinamento foram oficialmente adotadas ao meio dia da terça-feira do dia 17 de março em nível nacional. Eu friso isso porque na minha opinião a França demorou a tomar ações, mas quando as tomou fez tudo de modo organizado.


Na sexta feira anterior, dia 13 de março, o presidente francês Emmanuel Macron fez um anúncio em cadeia nacional dizendo que as escolas, universidades e cursos estavam suspensos sem terem data para voltar.


No sábado ele anunciou que os restaurantes, bares, cafés deveriam fechar.


Na segunda feira à noite ele fez um anúncio dizendo que a França estava entrando em Estado de Guerra contra o vírus Covid-19, explicou as medidas de emergência, confinamento, atestado para poder sair de casa, multa para os infratores, hospitais militares nas áreas mais afetadas, disse que o site do governo estava todo atualizado e que tudo seria colocado em prática a partir do meio-dia do dia seguinte, 17 de março de 2020.


Na terça feira eu acordei com uma mensagem no meu celular do governo francês pedindo para eu entrar no site do governo para ler as restrições e permissões que eu e toda população devemos seguir. Todo mundo que tem um chip de operadora francesa de celular acordou com uma mensagem do governo. E entrando no site eu vi o tal do atestado e como o utilizar: toda vez que formos sair de casa precisamos preencher e assinar, seja à mão ou no computador ou no celular, confirmando o motivo da nossa saída com a data, endereço de residência e horário.

Esse atestado serve para inibir um pouco a saída, porque se a polícia nos para na rua e se não o tivermos recebemos uma multa de 135 euros, que pode ser mais alta se formos pegos novamente.


Nós somente podemos usar esse atestado para sair segundo o que a lei prevê, e os motivos são:


Fazer caminhadas ou esportes como corrida durante 1 hora num raio de até 1km de nossa residência, sozinhos ou com as pessoas que estão confinadas na mesma casa.


Sair para cuidar de pessoas idosas, crianças, pessoas com dificuldades motoras ou mentais, caso essas pessoas não tenham outros responsáveis para tomar conta.


Fazer compras de produtos essenciais para consumo ou trabalho, ir ao banco, atender convocações judiciais, ir ao médico e trabalhar, caso seu trabalho não tenha sido interrompido ou adaptado.


O teletrabalho (home office) como eles chamam aqui, foi fortemente indicado. Mas há profissões que não podem ou conseguem, como cozinheiros, garçons, equipe de hotéis, equipe de fábricas, etc. Então a maioria entrou no sistema de “seguro desemprego parcial" e é o governo francês que está bancando o salário dessas pessoas. Outras áreas não pararam de trabalhar e adotaram medidas de higiene e revezamento de funcionários, como lixeiros, operários de usinas de energia, médicos e enfermeiras, fábricas de produtos alimentícios, agricultores, vinicultores, fábricas de produtos médicos e hospitalares, empresas de logísticas, lojas e fábricas de queijos e chocolates (são considerados parte da dieta francesa e itens de necessidade), padarias e lojas de vinhos.


O plano foi formado. Regras estabelecidas e como estamos vivendo?


Aqui na Borgonha não fomos muito atacados pelo vírus e estamos mais tranquilos. Mas todos respeitam e muito as regras durante o primeiro mês. Pouquíssimas pessoas estavam saindo para caminhar durante 1 hora. Mas....a primavera chegou e o tempo começou a esquentar. Imaginem ter um sábado de céu azul, sol, 22 graus depois de 8 meses de frio e céu cinzento. Eu mesma saio a cada 3 dias para caminhar nas ruas perto de casa onde há jardins, flores, um rio cortando a cidade e mantenho distância das outras pessoas que estão fazendo o mesmo. A quantidade de carros é mínima e os gatos e passarinhos estão tomando conta das ruas.

Comercialmente as coisas vão mal. O vinho da Borgonha atrai o turismo que é a grande fonte de renda da região. Os vinicultores continuam trabalhando nas vinhas, porém todos nós ligados ao turismo estamos parados e aqueles, como eu, mais adaptáveis reagiram antes e estão trabalhando todos os dias de casa e criando novos negócios. Entendam que a Borgonha é uma região parada no tempo, simples, rústica e fechada a inovações. Aqui nem entrega à domicílio é comum, então para os comerciantes está sendo um pouco difícil a adaptação.

Desde a segunda semana de confinamento eu tenho serviços ligados ao vinho e ao turismo tudo online para brasileiros e franceses e faço a publicidade gratuita através das minhas redes sociais e meus contatos no telefone, enviando uma lista de restaurantes e bares da Borgonha que estão fazendo pratos para buscar no restaurante, mais comum, ou entregar à domicílio ou vendendo produtos dos agricultores que normalmente abasteceria os restaurantes ou vendendo as garrafas de vinhos do estoque do bar.


Eu comecei fazendo apenas com um estabelecimento, o hotel fazenda Domaine de Rymska que já citei aqui no site Trendy 4 You, e hoje estou com 12 estabelecimentos comerciais (até a presente data). Tudo gratuito para ajudar o pequeno comerciante a sobreviver.


E por falar em viagens... Aqui na Borgonha estamos esperançosos com o futuro porque vivemos do vinho. E pessoas do mundo todo viajam para provar o vinho da Borgonha na Borgonha e conhecer um vinicultor. Esse é um grande diferencial. E mesmo que haja alguma vacina ou atestado para poder viajar, como lugares onde é obrigatório ter a vacina da febre amarela, as pessoas irão providenciar e irão viajar. A necessidade de ir e vir, de conhecer, sentir a liberdade é muito grande. Eu mesma estou contando os dias para tudo isso terminar e viajar. Sair e conquistar o mundo. Porque se um vírus viajou por quase todos os 7 continentes, por que eu vou me frear?


Mundo, aí vou eu!


Assim que tudo terminar.


Eu sou a Juliana Lins Cruz moro na Borgonha, França que é a região que produz os melhores vinhos tintos e vinhos brancos do mundo. Sou dona da empresa e da marca Vem Pra Borgonha, onde eu coordeno, acompanhar e promover experiências enogastronômicas para brasileiros e americanos. E eu também trabalho em vinícola fazendo vinhos.


Um abraço e fiquem com saúde,

Juliana.


www.vempraborgonha.com.br

Instagram @vempraborgonha


O ABUSO DE ÁLCOOL É PREJUDICIAL À SAÚDE.

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Orgulhosamente criado por Paula Castro